Moçambique está na linha da frente das alterações climáticas, enfrentando ciclones e secas frequentes que afetam desproporcionalmente as comunidades mais vulneráveis, com especial impacto nas mulheres rurais. Para responder a este desafio urgente, Maputo acolheu a Conferência Nacional sobre Género e Transição Justa em Moçambique, um evento estratégico dedicado a desenhar um futuro energético e ambiental mais inclusivo e equitativo para o país. Esta importante iniciativa foi criada pelo Comité Ecuménico para o Desenvolvimento Social (CEDES) em parceria com a Fundação Rosa-Luxemburgo, e contou com o apoio essencial do Instituto para Democracia Multipartidária (IMD). 

Reunindo decisores políticos, membros da sociedade civil e parceiros de desenvolvimento sob o lema “Do Plano de Ação de Género de Belém à Transição Justa e Inclusiva em Moçambique”, o encontro focou-se em três pilares fundamentais para garantir que a transição para uma economia verde não deixe ninguém para trás. O primeiro pilar centrou-se na advocacia política, visando impulsionar a aprovação, junto ao Governo, do Plano de Ação sobre Género para Financiamento Climático e Transição Justa em Moçambique. O segundo pilar procurou assegurar a inclusão e a equidade social, de modo a garantir que os benefícios económicos da transição energética e dos fundos climáticos cheguem de forma real às mulheres, aos jovens e às comunidades locais. Por fim, o terceiro pilar destacou a importância da fiscalização ativa, focando-se em reforçar a capacidade de monitoria do Parlamento e das Assembleias Provinciais na governação transparente dos recursos naturais e do clima — uma componente que é ativamente apoiada pelo projeto em curso do IMD. 

A urgência de unir as discussões de género à justiça climática reside no impacto profundamente desigual das crises ambientais em território nacional. Em Moçambique, as mulheres desempenham o papel de principais responsáveis pela agricultura de subsistência e pela gestão direta dos recursos do lar, o que significa que são as primeiras a perder o seu sustento quando um desastre natural acontece. Diante desta realidade, os participantes da conferência defenderam convictamente que a transição justa não deve ser encarada apenas como uma meta ambiental isolada, mas sim como um imperativo de direitos humanos. Para que isso se concretize, o financiamento climático deve, obrigatoriamente, priorizar projetos que capacitem as mulheres na linha da frente e que promovam a igualdade de oportunidades reais dentro da nova economia verde que se desenha para o país.

Galeria de fotos da Conferência

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